Identidade Papa Bento XVI Portugal 2010

A visita do Papa Bento XVI a Portugal é um evento deveras notório e notável para o nosso país, um evento deste calibre exige um trabalho de construção de uma identidade capaz de representar quer o Papa e a instituição que ele simboliza quer o talento e criatividade portugueses.

O logótipo construído para este evento esteve a cargo de Xavier Nunes experiente designer que nos explica que procurou acima de tudo simplicidade, sobriedade e positividade. O logótipo dá atenção em primeiro lugar ao nome do Papa “Bento XVI” em segundo lugar o título “Papa” e por fim o local e data da visita “Portugal 2010”, para completar a composição existe uma cruz grega na parte superior. Estes elementos tipográficos estão dispostos de maneira a formar uma cruz, ou o “sinal da bênção” usando as palavras do próprio designer, uma solução que apesar de óbvia nos parece muito bem conseguida uma vez que a cruz tem alguma complexidade e dinâmica não tendo a geometria “correcta” da cruz latina, isto é um dos braços laterais é maior que o outro. A tipografia utilizada na construção do logótipo é a “Prelo” do designer português Dino dos Santos um tipo de letra sóbrio, legível, contemporâneo e com uma grande variedade de espessuras o que lhe dá uma polivalência importante num trabalho desta natureza.

Esta versão insere o logo original numa forma ovaloíde de cor dourada que nos parece ter ido buscar o contorno do “O”, a cruz grega que pontua o topo da composição sobe até à borda do fundo. Nesta versão encontramos um pormenor que nos deixa um pouco reticentes, a cruz no local onde foi colocada dá uma ligeira impressão de ter o braço do topo um pouco mais comprido e por isso configura uma cruz invertida, claro que isto é um pormenor que ninguém vai considerar e que só notamos aquando uma análise mais profunda como a que estamos a elaborar com este texto.

Concluindo, consideramos este trabalho muito bem conseguido, houve uma ideia forte que configurou o logótipo e que tem toda a legitimidade, foi escolhida uma tipografia que além de ter muito potencial para o caso ganha mais valor por ser de um designer português, as cores são bem escolhidas tendo em conta a natureza do evento e acabamos por referir que é um prazer ver trabalhos deste calibre a representar eventos cuja notabilidade é inquestionável mesmo sendo Portugal um país laico.

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Podem ver o manual de normas da identidade nesta ligação:

http://www.bentoxviportugal.pt/pdf/BentoXVI_NormaGrafica.pdf

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E uma curta entrevista a Xavier Nunes aqui:

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logotipo – design e criação de logotipos

Logótipos preferidos pelos nossos designers #2: Genéricos

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Na logotipo.pt acreditamos que os logótipos devem ter a maior carga simbólica possível para cada caso tentamos ligar o ícone que criamos à área de negócio do cliente.

O logótipo dos Medicamentos Genéricos neste ponto de vista é um caso paradigmático, os criadores deste logótipo conseguiram um símbolo que é baseado no G de Genéricos e ao mesmo tempo é a imagem gráfica de uma comprimido com a tipíca dobra de divisão em duas doses. Este jogo gráfico confere ao logótipo um poder conceptual e visual muito forte que aliando ao uso da cor púrpura uma cor com familiares ligações ao ramo farmacêutico se torna um ícone perfeito para o que se propõe representar.

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Como podemos observar e não sabemos qual dos logótipos é o mais antigo estes dois logótipos são algo semelhantes na forma sendo os dois a representação estilizada de um G.  No caso da Generis se houve intenção de transformar o G num comprimido esta não é evidente e parece-nos que não é o caso, o travessão do G não está suficientemente vincado para parecer um comprimido, neste caso o G é um serpente (e agulha hipodérmica?) outro dos símbolos mais frequentes no ramo farmacêutico. Apesar de ter um simbolismo mais intrincado este logótipo não se encontra ao nível do dos Medicamentos Genéricos o design gráfico deste é muito superior em perícia ao da Generis e torna-se um modelo para qualquer designer gráfico que pretenda atingir um bom nível criativo e visual.

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História dos Logótipos: Mitsubishi

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A imagem de marca da Mitsubishi surgiu a partir do símbolo da companhia que a precedeu a Tsukumo Shokai que usava três losangos sobrepostos nas bandeiras dos seus navios, estilizações de uma planta aquática asiática. Este símbolo resultava do Kamon (“brasão”) da família do fundador da empresa Yataro Iwasaki e graficamente em conjunto com o kamon da família de Yamanouchi do clã de Tosa originou cruamente a forma que o logótipo tem hoje. Depois esta forma transforma-se a partir de um processo de depuração geométrica no símbolo baseado num triângulo equilátero que se mantém até hoje.

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mitsubishi

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A Mitsubishi só se passou a denominar desta forma algum tempo depois e só passou a ter um título juntamente com o ícone em 1955 e este era provido em kanji ( caracteres japoneses) numa tipografia chamada Mitarashi-ryu que foi utilizada até 1963.

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No ano seguinte o logo passou a ter um slogan mas inicialmente só no território japonês com o intuito de criar empatia com o grande público de consumo do Japão e reforçar a sua presença no mercado daquele país. O slogan era ” Convosco hoje e amanha” e visualmente traduz-se na imagem em baixo.

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O slogan seguinte ” À frente e sempre avançando” foi implementado em 1968 pelo presidente da empresa em vista de exportar a qualidade que foi crescendo na Mitsubishi. É nesta altura que começa a haver uma separação entre a imagem corporativa em território japonês e uma outra imagem para o resto do mundo e mais concretamente o ocidente.

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No ano de 1985 dá-se uma verdadeira ruptura entre o logótipo utilizado no Japão e aquele que é já mundialmente conhecido, no seu país de origem este torna-se apenas a palavra Mitsubishi na tipografia Helvetica num tom azul suave com o slogan ” Socio-tech: melhorando estilos de vida através da tecnologia”. Para fora do Japão é criado o tão popular símbolo que hoje conhecemos bem, os três losangos vermelhos que formam geometricamente um triângulo equilátero com o título em Helvetica, quanto ao slogan continua o mesmo neste caso. É nesta altura que também se opera uma importante mudança os logótipos passam a ter cor, azul no Japão e o vermelho no resto do mundo.

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É mais recentemente e pelo octogésimo aniversário da companhia que se reavaliam as valências da imagem corporativa e fazem-se mudanças superficiais à marca  mudando o slogan que passa a ser tanto no Japão como no ocidente ” Mudança para melhor”. No Japão continua a ser usado o logótipo mais simples em azul enquanto que internacionalmente como bem sabemos é usado o logótipo vermelho.

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Este logótipo teve um percurso muito consistente, teve uma origem muito interessante baseada na excelente geometria e simplicidade dos kamon. ( Os kamon japoneses são um manancial excelente de lições em relação ao design gráfico de marcas e brevemente abordaremos num artigo o seu valor.) A intemporalidade da identidade da Mitsubishi deve-se à simplicidade dos seus elementos, o símbolo que é basicamente um triângulo equilátero cortado por outros três mais pequenos de forma a criar uma espécie de ventoínha estática, o uso de um tipo de letra como a Helvetica com formas despretenciosas e de uma geometria muito elementar. Esta conjugação do essencial resultou num logótipo que se mantem forte após quase 90 anos da criação da empresa que representa.

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