Novo logótipo da Câmara Municipal do Porto

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Foi com ansiedade que aguardamos a nova imagem gráfica da Câmara Municipal do Porto visto que a anterior deixava muito a desejar e a cidade tem tudo para inspirar um bom trabalho. As expectativas eram muito altas e não foram preenchidas pelo projecto gráfico apresentado ontem na câmara e que podemos ver no website da mesma.

A C.M. do Porto tinha um logo bastante banal e sem alma onde víamos a silhueta do topo da torre dos clérigos dentro de uma oval inclinada num verde atávico e sem grande legibilidade ou representatividade. Toda a “família” gráfica da câmara era bastante fraca, incoerente e com falta de cuidado estético. No logo principal estava retratado o ex-líbris mais reconhecido da linha edificada do porto mas faltava-lhe personalidade, dinâmica e a vida excitante que o Porto adquiriu nestes últimos anos em que o turismo tomou conta da cidade trazendo consigo muita vitalidade e acontecimentos culturais um pouco por toda a cidade.

«Legenda: A antiga "família" gráfica do da C.M. Porto»
«Legenda: A antiga “família” gráfica do da C.M. Porto»

O Porto está vibrante e pedia um trabalho igualmente vibrante. Quando soubemos que a imagem gráfica da câmara ia mudar agradou-nos bastante a ideia e tivemos a certeza que ia ser um trabalho de grande qualidade tal como a cidade merece. Esta certeza aumentou quando soubemos que era um gabinete como o White Studio que estava incumbido dessa tarefa e fê-lo por 40 mil Euros segundo o portal Porto24.
A intenção do White Studio é bem contemporânea e consistiu em fazer um grande número de ícones dentro da mesma linguagem gráfica retratando os vários edifícios marcantes, pontes, vivências e momentos da cidade, como seria de esperar o logo propriamente dito é um ícone que simboliza a câmara. Este edifício neoclássico pontua o lado norte da Avenida dos Aliados e caracteriza-se por um corpo horizontal com 6 pisos que é coroado por uma torre esbelta que chega aos 70 metros e que nos faz pensar na Torre dos Clérigos, foi projectado pelo arquitecto António Correia da Silva e a sua construção alongou-se desde 1920 até 1957.
“Porto é Porto, ponto.” é o slogan desta nova imagem e é uma frase que diz muito da cidade. Este mote dá origem à forma do logótipo mais elementar que é a palavra Porto com um ponto final enquadrado num rectângulo que podemos ver em baixo.

«Legenda: Um exemplo do grafismo aplicado num painel de "azulejos".»
«Legenda: Um exemplo do grafismo aplicado num painel de “azulejos”.»

No geral a estratégia parece-nos bem pensada, tem a vitalidade que a cidade pedia, mostra muito do seu património cultural e turístico mas na execução gráfica ficou aquém do que seria de esperar. O trabalho de depuração dos ícones parece-nos muito mal conseguido deixando uma geometria, crua e rígida tomar conta das subtilezas visuais dos ex-libris da cidade. Começando pelo ícone da câmara, este é tão “nivelado” que quase não conseguimos vislumbrar o edifício real e ficamos com a sensação de estar a ver um edifício “minimalista” saído do movimento modernista. O alçado sul da câmara já tinha sido o logo da instituição e estava bastante bem reproduzido, deixando apenas o fulcral para perceber a natureza complexa do edifício e o seu estilo arquitectónico. No novo ícone apenas ficamos a “saber” que tem dois andares e uma torre com uma janela no topo, ou seja, uma análise visual muito fraca e que não corresponde à realidade. O edifício da câmara tem elementos bastante identificativos que permitiriam um ícone mais funcional.

«Legenda: Uma comparação do alçado da câmara com o novo ícone e o antigo logo.»
«Legenda: Uma comparação do alçado da câmara com o novo ícone e o antigo logo.»

Os ícones no geral estão muito grosseiros, é este o problema deste projecto, se o pensamento que dá origem à identidade gráfica foi bom a materialização dos ícones é má. Eles resultam bastante bem em conjunto, os cartazes e painéis que publicitam esta mudança estão muito interessantes mas quando vemos os ícones isolados temos a sensação que poderiam ser muito melhores. O traço é muito grosso e as opções geométricas estranhas e pouco harmoniosas resultam em imagens toscas e pobres que não conseguem transmitir a “alma” portuense. Uma potencial influência para este grafismo poderá ter sido o excelente logótipo do Metro do Porto que partilha o tom azul e o traço grosso e de espessura contínua que vemos nestes ícones. A diferença é que no caso do Metro está técnica funciona perfeitamente e nos ícones nem por isso.
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As várias repartições da câmara têm o seu próprio logo com um ícone relacionado com essa área de intervenção dos serviços camarários. Mais uma vez esta solução parece-nos bem pensada mas mais uma vez os ícones estão muito crus e com pouco cuidado a nível de desenho. O coração que vemos no logo da Porto Lazer tem uma incrível falta de harmonia no desenho e forma um ícone muito estranho e fora do comum.

A cor azul percebe-se perfeitamente, a ligação aos azulejos que povoam a cidade e fazem as delícias das máquinas fotográficas dos turistas e talvez a ligação ao Futebol Clube do Porto uma das instituições mais fortes e mais apreciadas da cidade. Esta cor permite que se façam grafismos excelentes que nos remetem de imediato para o imaginário da azulejaria, no entanto utilizando apenas o azul pensamos que se perde muita da riqueza cromática do Porto.

«Legenda: O conjunto gráfico apresentado ontem.»
«Legenda: O conjunto gráfico apresentado ontem.»

O carácter participativo da nova imagem gráfica também nos parece bastante interessante visto que os autores convidam toda a gente a fazer os seus próprios ícones do Porto e a participar de modo a completar o enorme azulejo que é o Porto.

Tivemos conhecimento de uma outra proposta para esta identidade gráfica por parte do Atelier Martino & Jaña também do Porto e a abordagem era algo semelhante apostando em ícones que permitiam uma constante mutação. Podem ver o vídeo de apresentação desse trabalho em baixo:

Concluindo, consideramos que o Porto, uma cidade que tem muita importância no nosso país e tem uma história rica na vanguarda artística merecia um trabalho mais cuidado ao nível do pormenor gráfico. Esta cidade é actualmente o destino de eleição de inúmeros visitantes de inúmeros países desde a China até ao Canadá e deveria ter uma identidade gráfica mais trabalhada, talvez mais colorida e não tão restritiva e condicionada.

Foi sem dúvida um grande passo em frente em relação à situação anterior mas soube a pouco, vamos ver como este grafismo evolui e como se comporta no futuro.

Identidade Papa Bento XVI Portugal 2010

A visita do Papa Bento XVI a Portugal é um evento deveras notório e notável para o nosso país, um evento deste calibre exige um trabalho de construção de uma identidade capaz de representar quer o Papa e a instituição que ele simboliza quer o talento e criatividade portugueses.

O logótipo construído para este evento esteve a cargo de Xavier Nunes experiente designer que nos explica que procurou acima de tudo simplicidade, sobriedade e positividade. O logótipo dá atenção em primeiro lugar ao nome do Papa “Bento XVI” em segundo lugar o título “Papa” e por fim o local e data da visita “Portugal 2010”, para completar a composição existe uma cruz grega na parte superior. Estes elementos tipográficos estão dispostos de maneira a formar uma cruz, ou o “sinal da bênção” usando as palavras do próprio designer, uma solução que apesar de óbvia nos parece muito bem conseguida uma vez que a cruz tem alguma complexidade e dinâmica não tendo a geometria “correcta” da cruz latina, isto é um dos braços laterais é maior que o outro. A tipografia utilizada na construção do logótipo é a “Prelo” do designer português Dino dos Santos um tipo de letra sóbrio, legível, contemporâneo e com uma grande variedade de espessuras o que lhe dá uma polivalência importante num trabalho desta natureza.

Esta versão insere o logo original numa forma ovaloíde de cor dourada que nos parece ter ido buscar o contorno do “O”, a cruz grega que pontua o topo da composição sobe até à borda do fundo. Nesta versão encontramos um pormenor que nos deixa um pouco reticentes, a cruz no local onde foi colocada dá uma ligeira impressão de ter o braço do topo um pouco mais comprido e por isso configura uma cruz invertida, claro que isto é um pormenor que ninguém vai considerar e que só notamos aquando uma análise mais profunda como a que estamos a elaborar com este texto.

Concluindo, consideramos este trabalho muito bem conseguido, houve uma ideia forte que configurou o logótipo e que tem toda a legitimidade, foi escolhida uma tipografia que além de ter muito potencial para o caso ganha mais valor por ser de um designer português, as cores são bem escolhidas tendo em conta a natureza do evento e acabamos por referir que é um prazer ver trabalhos deste calibre a representar eventos cuja notabilidade é inquestionável mesmo sendo Portugal um país laico.

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Podem ver o manual de normas da identidade nesta ligação:

http://www.bentoxviportugal.pt/pdf/BentoXVI_NormaGrafica.pdf

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E uma curta entrevista a Xavier Nunes aqui:

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logotipo – design e criação de logotipos