Logótipo Chupa Chups, designer: Salvador Dalí

A Chupa Chups remonta ao inicio dos anos 50 do século passado, foi criada por um espanhol catalão chamado Enric Bernat que possuía anteriormente uma companhia de doces chamada Productos Bernat. Este visionário teve a ideia ao observar os miúdos e os seus hábitos aquando comiam doces, que seria proveitoso incluir no rebuçado uma maneira de poder indo comendo, no entanto ressalvando  a possibilidade de poder tira-lo da boca de maneira funcional e guarda-lo se por exemplo estivessem a comer doces sem os pais saberem =). Assim nasceu a ideia dos chupas chupas ou seja, “rebuçados com pauzinho” ! De ínicio este novo tipo de doce chamou-se Gol, (golo) numa clara alusão ao futebol ou seja a estratégia de “marketing” era o doce metafóricamente ser uma bola e a boca dos mais gulosos a baliza. Este nome não funcionou da maneira que era desejada e foi então que Bernat contratou uma empresa de publicidade, estes  arranjaram o nome de Chups e um jingle que cantava: ” Chupa chupa chupa Chups!”.  Foi daqui que veio o nome que ainda hoje faz sucesso entre as crianças. A maior curiosidade e o facto que levou à escrita deste artigo é o logo desta marca ter sido desenvolvido por Salvador Dalí, artista surrealista sobejamente conhecido. Dalí pegou no logótipo existente em 1969 e que tinha a sua origem nos anos 50 com um tipo de letra muito familiar às formas “handwritten” da CocaCola e que era comum ser usado nesta altura e adicionou-lhe um fundo numa forma abstractizada de margarida com 8 pontas onde a tipografia se integrava com alguma naturalidade. Aqui surgiu o novo logo sobre o slogan, “És rodó i dura molt, Chupa Chups”, ou seja, “É redondo e dura muito” em catalão. Dalí sempre teve uma ligação com a publicidade e com a cultura pop não é de estranhar que tenha feito um trabalho desta natureza,  entrou inclusivamente em vários anúncios televisivos do chocolate Lanvin. Podemos dizer que o trabalho de Dalí neste logo foi muito consistente e perdura até hoje de uma forma mais trabalhada, a palavra Chupa adquiriu a mesma tipografia da palavra Chups adicionaram-se uns pormenores nas pontas das pétalas mas a essência do desenho de Dalí está lá. Ele soube fazer a ponte entre o passado da marca e as potencialidades para o futuro apostando num desenho simples e marcante, original e ao mesmo tempo familiar. Mais curioso é a forma natural e descontraída como surge este logótipo, conta a história que Bernat numa viagem para Figueres  terra a cerca de 150km de Barcelona com o objectivo de visitar Dalí sendo esta onde o excêntrico génio habitava propôs-lhe que desenhasse uma sugestão para a nova cara da sua marca.  Dalí em menos de uma hora e num pedaço de jornal enquanto os dois almoçavam desenhou o logo e até fez sugestões de “packaging” a Bernat dizendo para aplicar o logo no topo do chupa chupa como se fosse uma coroa e de forma a ser totalmente visível e estar de acordo com a geometria do doce coisa que até hoje é naturalmente cumprida.

Logo inicial da marca, muito literal e ingénuo.

1958 –  Mudança para um “letring” estilo “handwritten” muito comum na época, a marca torna-se mais profissional.

1961 – A marca mantém quase intacta a forma da tipografia mas acrescenta num tipo de letra moderno e depurado (possivelmente a akzidenz grotesk) a palavra Chupa, nasce a denominação Chupa Chups. O logótipo vive também do fundo amarelo em que o título se enquadra.

1963 – Aqui há uma curiosa modificação da tipografia da palavra Chupa, especulamos que esta modificação se deva ao contraste extremo que existia na versão anterior em que a simplicidade chocava com a complexidade no conjunto das duas palavras. Neste logo perde-se o fundo amarelo mas ganha-se uma conjugação de tipos de letra mais harmoniosa.

1969 – É aqui que entra Dalí e de novo o fundo amarelo mas desta vez em forma de uma flor estilizada.

1978 – O logo ganha de novo à imagem da sua génese uma componente literal que neste caso é um par de Chupa-Chupas, o logo ganha também um “stroke” que delineia a forma desenhada por Dalí.

1988 – Por fim   temos a versão que essencialmente perdura até hoje, aqui podemos ver que a palavra Chupa adoptou a tipografia de Chups e há uma verdadeira harmonia entre as duas. A forma da flor torna-se mais complexa com uns pormenores na ponta das pétalas, o logo torna-se mais rico e colorido e adquire uma imagem icónica que começou nos desenhos de Dalí mas soube actualizar-se com mestria ao futuro.

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