O novo logótipo da Burger King

Novo, é como quem diz!

 

A Burger King mudou de logótipo, estava a utilizar um design de 1999 e repensa agora toda a sua identidade gráfica.
A solução encontrada, pelo estúdio contratado,  Jones Knowles Ritchie, foi buscar o logótipo anterior ao de 1999 tornando-o mais sofisticado, apurado e interessante.

Falando do logótipo de 1999, este era bastante bem conseguido, era uma versão mais moderna e dinâmica do logótipo anterior (e do novo!). Usava a mesma fórmula, um hambúrguer estilizado que continha o texto como se fosse a carne. Um arco azul à esquerda dava coesão e uma cor contrastante ao conjunto e portanto mais vitalidade.
Este logo tinha também uma linha ascendente na composição que contribuía para a dinâmica do logo.

A nosso ver, a nova solução é demasiado estática e chega com um ar datado. Tal como já referimos, este novo logo é superior ao logótipo da BK de 94, podemos observar o rigor da tipografia e até a correspondência da silhueta do pão que agora é mais realista, mas, no geral, a imagem perde vitalidade.

O logótipo de 99 também tinha alguns defeitos, muita gente não se apercebia que os elementos amarelos eram o pão e as letras vermelhas a carne. Talvez porque o pão tem uma espécie de brilho despropositado. A proporção do “pão” com a carne também estava mal conseguida, se fosse mais realista tendo em conta um hambúrguer verdadeiro ficaria mais perceptível a ideia do logo.

A perda do azul também nos parece um problema. Após 20 anos, a trilogia azul, vermelho amarelo, já estava bastante enraizada e agora perdendo o azul a impressão visual da marca muda consideravelmente.

A marca confessa que pretende uma ruptura. Recentemente a Burger King decidiu apostar na melhoria da matéria prima dos seus produtos. Esta mudança, segundo a marca, requer uma imagem menos artificial, mais identificável com a natureza, com a ecologia e com a origem natural dos seus produtos. O azul nestes termos é uma cor que não é coerente com esta nova ideia. Apesar disso talvez pudesse substituir o azul por um verde e aí manter alguma da vitalidade da trilogia de cores que tinha sublinhando a ligação à ecologia e à Natureza.

A marca refere também que pretende apelar à nostalgia e à autenticidade por ser algo que agrada aos millennials. Há uma negação do passado mais recente para recordar um passado mais distante.

O maior concorrente da Burger King, a McDonald’s, já tinha feito esta mudança de estratégia e de identidade gráfica há vários anos. Apesar disso, a McDonald’s foi muito mais subtil ao fazê-lo. Escrevemos sobre o assunto na altura, aqui.

Outra perda é ao nível do tipo de letra, a BK tinha um tipo de letra interessante, com alguma complexidade e que misturava os cantos arredondados com os cantos angulares, agora parece um tipo de letra simplório sem nenhum pormenor de originalidade. Nos produtos da marca aparece também um tipo de letra “groovy” típico dos anos 70. Mais uma vez uma referência ao passado e à nostalgia.

Pensamos que a melhor opção teria sido um design entre o antigo e o novo, não uma ruptura, mas sim, uma evolução tendo em conta a nova política da empresa. Um design onde claramente se notasse o hambúrguer e que perdesse o brilho que dava um ar metálico ao pão. Fizemos uma experiência rápida do que poderia ser o novo logótipo, se mantivesse elementos em comum com o design anterior, podemos vê-la em baixo.

Este parece-nos mais um caso de actualização de um logo aos padrões de hoje em dia que ditam uma bidimensionalização dos logótipos, muitas marcas estão a recorrer a este processo, basta pensar na VW, BMW, Nissan, Toyota, Microsoft, Mastercard, Euronews, Olx, Tripadvisor, Warner Brothers, Google, Juventus, McDonald’s… e muitas outras.

Outro pormenor interessante é o ícone BK, com esta mudança existe a mesma sensação de perda de vitalidade. O novo ícone BK parte de uma ideia interessante mas que nos paresse demasiado forçada para resultar bem, o topo e base do B são o pão e o meio a carne que também configura um K. 

Concluindo, a Burger King com a intenção de se apresentar mais ecológica e saudável perde a dinâmica que tinha. Aposta agora numa versão melhorada de um logótipo criado em 1969 para apelar à nostalgia do seu públçico-alvo. A nosso ver, é uma mudança demasiado vincada e a marca fica a perder com a mesma.

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